Como eu leio um rótulo antes de gastar
Eu perdi dinheiro bonito acreditando em palavra grande na frente da caixa. “Rejuvenescedor”, “detox”, “milagroso”, “clínica em casa”. A traseira quase sempre era mais honesta do que a vitrine.
Hoje eu viro o produto na prateleira. Se o segurança da farmácia me olha, eu olho de volta. É o meu dinheiro.
A lista que eu faço, nesta ordem
- Categoria. É cosmético, protetor solar, sabonete? Cosmético não é remédio. Se a caixa parece receita, eu desconfio.
- Área de uso. Rosto, corpo, contorno dos olhos. Eu respeito o que está escrito.
- Composição. Não decoro INCI. Olho se tem perfume demais para a minha pele, se a lista é um romance, se o primeiro terço é água e o resto é marketing em inglês.
- Validade e lote. Básico. Ainda assim, já peguei tubo esquecido no fundo do armário.
- Promessa versus gesto. “Acalma” pode ser conforto. “Elimina”, “cura”, “em 3 dias” eu devolvo para a gôndola.
Rótulo bom não precisa gritar. O meu critério é esse, e é subjetivo.
Marcas “de farmácia”
Produtos da La Roche-Posay, e de outras linhas de dermocosmético, costumam ter texto mais sóbrio do que o de vitrine de shopping. Isso me agrada como leitora. Não me transforma em fã-clube. Sóbrio também pode ser caro. Caro também pode não servir.
Eu comparo textura, tamanho em mililitros e quanto vai durar na minha rotina real. Um tubo de 40 ml usado todo dia não é o mesmo investimento de um de 40 ml usado duas vezes por semana. A conta de farmácia mente quando a gente olha só a etiqueta.
O que eu anoto em casa
Data em que abri. Se ardeu. Se pillingou com o protetor. Se o cheiro mudou. Se eu gostei no terceiro uso, não só no primeiro, quando tudo é esperança.
Essa caderneta vale mais do que qualquer texto deste blog — inclusive este. O seu é que manda.