O balsamo que eu deixo na bolsa e na mesa de cabeceira
Tem um tubinho branco que vive na minha bolsa. Não é perfume, não é milagre e não é o personagem principal da minha identidade. É um balsamo da linha Cicaplast, da La Roche-Posay — cito o nome para você saber do que estou falando, não para parecer encarregada de marketing.
Eu comprei a primeira vez porque a farmácia estava na esquina e o canto da boca estava rachando. Não li estudo. Li o preço, resmunguei, levei.
O que eu senti, sem poesia de laboratório
A textura é densa, quase de pomada, mas não fica aquela cera de vela na cara se a camada for fina. No dorso da mão, no cotovelo e no lábio, ela faz o que eu espero de um balsamo: isola um pouco, reduz aquela sensação de papel.
No rosto inteiro, eu não uso. Minha zona T agradece a recusa. Quando a bochecha está áspera, eu toco só o pedaço. É um produto de “aqui e ali”, não de máscara da noite toda — pelo menos na minha rotina.
Eu parei de pedir a um balsamo o que só o tempo, o sono e um médico resolvem.
Para que eu uso
- Canto da boca no ar-condicionado do escritório.
- Cutícula depois de lavar louça sem luva, de teimosa.
- Pele do nariz quando o lenço de papel já fez estrago.
- Pós-sol leve, só o desconforto superficial — e mesmo assim, protetor no dia seguinte continua sendo o protagonista.
Para que eu não uso
- Não uso como tratamento de ferida, queimadura grave ou qualquer coisa que peça curativo e profissional.
- Não uso em olho.
- Não uso esperando “reparar a barreira em 48 horas”, frase que já vi solta em comentário de internet e que eu recuso neste blog.
- Não uso em criança sem conversar com pediatra. Eu não tenho filho e não invento conselho.
O que me irrita no discurso em volta
A caixa fala em cuidado calmante e em pele sensibilizada. Tudo bem. O problema começa quando a conversa da internet transforma um balsamo em atalho para tudo: pós-procedimento, “skin barrier”, salvação da acne, hidratação de inverno, primer, e por aí vai.
Na minha pia, ele é um apoio. Caro para o tamanho do tubo, aliás. Dura bastante porque eu uso pouco. Se alguém espera um frasco único para o corpo todo, o preço dói e a conta não fecha.
Pontos que me servem
Textura que gruda onde eu quero. Pouco cheiro. Cabe na bolsa. Não preciso de ritual.
Pontos que me incomodam
Preço. A tentação de passar demais. A fama maior do que o pote. Não substitui hidratante do dia.
Como eu aplico, na prática
Pele limpa e seca. Uma quantidade de ervilha para um canto. Espero absorver um pouco antes de apoiar o rosto no travesseiro. Se a pele está só sem graça, não ressecada, eu nem abro o tubo. Produto bom também é produto que você sabe deixar fechado.
Existem balsamos e cicas de outras marcas. Já usei uns mais baratos que deram conta em cotovelo. A diferença, para mim, está mais em textura e em quanto o produto some na pele do que em uma hierarquia moral de laboratório.
Se a sua pele arde, racha sem parar ou tem ferida, este parágrafo não é o seu tratamento. É só o diário de uma mulher que comprou um tubo na farmácia e resolveu escrever sem fingir que é bula.